
TSD ou CBUQ: diferenças e quando usar cada um
TSD (tratamento superficial duplo) é um revestimento fino, feito na própria pista com dois "banhos" de ligante asfáltico cobertos por pedra; CBUQ é uma massa asfáltica produzida em usina, espalhada quente e compactada em camada mais espessa. Os dois deixam a via "preta", mas não fazem o mesmo trabalho. O TSD protege e impermeabiliza uma base boa em vias de tráfego leve; o CBUQ forma uma capa estrutural para tráfego médio e pesado. A seguir, comparamos os dois ponto a ponto, com base nas normas do DNIT, para você saber qual pedir no orçamento.

O que é TSD (tratamento superficial duplo)
Pela norma DNIT 147/2012-ES, o tratamento superficial duplo é "a camada de revestimento do pavimento constituída por duas aplicações de ligante asfáltico, cada uma coberta por camada de agregado mineral e submetida à compressão".
Na prática, a sequência é:
Varrer a base já imprimada (ou a pista com pintura de ligação) para tirar o pó.
Aplicar o 1º banho de ligante com caminhão espargidor.
Espalhar logo em seguida a 1ª camada de brita, mais graúda, e compactar com rolo.
Fazer uma varredura leve do material solto.
Repetir o processo com o 2º banho e uma brita mais fina.
A norma admite como ligante o CAP-150/200 ou a emulsão asfáltica RR-2C. As taxas de referência da Tabela 2 da DNIT 147 são:
1ª: Ligante: 1,2 a 1,8 l/m²; Agregado: 20 a 25 kg/m²
2ª: Ligante: 0,8 a 1,2 l/m²; Agregado: 10 a 12 kg/m²
As taxas finais são fixadas no projeto e ajustadas no campo no início do serviço. Existem também o tratamento simples (TSS, DNIT 146/2012-ES) e o triplo (TST, DNIT 148/2012-ES), que seguem a mesma lógica com uma ou três camadas.
O que é CBUQ
O CBUQ (concreto betuminoso usinado a quente) é a mistura de agregados graduados com CAP, feita em usina e aplicada ainda quente. Pela DNIT 031/2006-ES, o ligante é aquecido sem passar de 177 °C, a massa é espalhada por vibroacabadora e compactada com rolos de pneus e rolo liso ou vibratório. O revestimento recém-acabado fica sem trânsito até o completo resfriamento.
O resultado é uma camada densa e contínua, com espessura definida em projeto. Para entender composição e faixas, veja O que é CBUQ e o guia de massa asfáltica.
TSD ou CBUQ: comparação direta
Como é feito: TSD: Na pista, em banhos de ligante + brita; CBUQ: Em usina, aplicado quente
Espessura: TSD: Fina; o Manual de Pavimentação do DNIT trata como "praticamente desprezível" para fins estruturais; CBUQ: Definida em projeto; a Tabela 32 do DNIT pede de 5,0 cm a 12,5 cm conforme o tráfego
Função principal: TSD: Impermeabilizar e dar superfície de rolamento; CBUQ: Revestimento estrutural, resiste à flexão
Tráfego indicado: TSD: Leve (número N até 10⁶ no Manual do DNIT); CBUQ: Médio a muito pesado
Equipamentos: TSD: Espargidor, distribuidor de agregado, rolos; CBUQ: Usina, vibroacabadora, rolos
Textura: TSD: Rugosa, com pedriscos aparentes; CBUQ: Fechada e mais lisa
Pontos fracos: TSD: Perda de pedra em manobras e frenagens; CBUQ: Exige logística de usina e massa quente

O que o Manual de Pavimentação do DNIT diz
A Tabela 32 do Manual de Pavimentação do DNIT (IPR-719) relaciona a espessura mínima do revestimento com o número N (o tráfego acumulado do eixo padrão no período de projeto):
N ≤ 10⁶: tratamentos superficiais betuminosos;
10⁶ < N ≤ 5 × 10⁶: revestimento betuminoso com 5,0 cm;
5 × 10⁶ < N ≤ 10⁷: concreto betuminoso com 7,5 cm;
10⁷ < N ≤ 5 × 10⁷: concreto betuminoso com 10,0 cm;
N > 5 × 10⁷: concreto betuminoso com 12,5 cm.
Ou seja: o TSD é a solução prevista para o tráfego mais leve. O manual também lembra que, ao usar tratamento superficial, a base granular deve ter alguma coesão, e cita a pavimentação por etapas: começar com um tratamento superficial e, depois, completar com o revestimento betuminoso quando o tráfego crescer. Mais detalhes sobre espessuras estão em Espessura do asfalto.
Quando o TSD é a melhor escolha
Estradas vicinais, rurais e acessos com poucos veículos pesados;
Acostamentos e vias de baixo volume;
Pavimentação por etapas, quando o orçamento não permite o CBUQ agora;
Capa selante sobre pavimento existente, para impermeabilizar e devolver textura (o manual chama o tratamento simples com essa finalidade de capa selante);
Locais longe de usina, onde levar massa quente é difícil.
Quando o CBUQ é a melhor escolha
Ruas urbanas, avenidas e rodovias com tráfego médio ou pesado;
Pátios de caminhões, docas e áreas de manobra: o giro de pneus no mesmo ponto arranca pedra de revestimentos finos;
Condomínios, estacionamentos e comércios, onde se quer superfície lisa, bonita e confortável;
Recapeamentos, quando é preciso corrigir o perfil e recuperar a capacidade estrutural.
Veja como funciona um recapeamento asfáltico e como é feita a base para asfalto, que vale para os dois casos.
Cuidados de execução que valem para os dois
Clima: pela DNIT 147, o ligante do TSD não pode ser distribuído com temperatura ambiente abaixo de 10 °C, em dias de chuva ou com a superfície úmida. A mesma regra aparece para imprimação (DNIT 144/2014-ES).
Base pronta e imprimada: nenhum revestimento corrige base fraca. Entenda o papel de cada ligante em Imprimação e pintura de ligação.
Liberação do tráfego: no TSD, só depois do fim da compressão e de forma controlada; no CBUQ, depois do resfriamento.
Agregado de qualidade: a DNIT 147 pede, entre outros, desgaste Los Angeles de até 40% e índice de forma acima de 0,5.
Defeitos mais comuns em cada um
No TSD, o defeito típico é o desgaste: a norma de terminologia DNIT 005/2003-TER o define como o arrancamento progressivo do agregado provocado por esforços tangenciais do tráfego. Também aparecem exsudação (excesso de ligante) e falhas por base mal executada. No CBUQ, os problemas mais comuns são trincas, afundamentos e panelas, quase sempre ligados à base, à drenagem ou à espessura insuficiente. Para reparos, veja tapa-buraco no asfalto.
Perguntas frequentes
TSD é asfalto?
Sim. É um revestimento asfáltico por penetração: ligante asfáltico (CAP ou emulsão RR-2C) e agregado aplicados em camadas na pista, conforme a DNIT 147/2012-ES. Ele só não é uma massa usinada como o CBUQ.
TSD ou CBUQ: qual dura mais?
Depende do tráfego. Em vias de tráfego leve, um TSD bem executado sobre base boa atende bem. Com tráfego médio ou pesado, o Manual de Pavimentação do DNIT indica concreto betuminoso, com espessura mínima crescente conforme o número N.
Posso fazer TSD no pátio da minha empresa?
Se houver manobra de caminhões, o CBUQ costuma ser mais indicado, porque o giro e a frenagem arrancam o agregado do TSD (o desgaste descrito na DNIT 005/2003-TER). Para acessos de tráfego leve, o TSD pode ser avaliado.
Dá para colocar CBUQ sobre um TSD antigo?
Sim, em geral com limpeza, correção dos defeitos e pintura de ligação antes da nova capa. A avaliação da base e do estado do TSD define se precisa de reforço.
Qual é o mais barato?
Não existe preço fixo: depende da área, da espessura, da distância da usina e do acesso. Peça um orçamento com as medidas e fotos do local.
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A Fatali executa pavimentação em CBUQ, imprimação, pintura de ligação e recapeamento em São Paulo e região, e ajuda você a definir a solução certa para o tráfego da sua área. Envie endereço, metragem e fotos para receber o orçamento.
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Autor: Kaio César Vidigal, Fatali Asfalto.
Fontes
DNIT 147/2012-ES – Pavimentação asfáltica – Tratamento superficial duplo: gov.br/dnit
DNIT 146/2012-ES – Tratamento superficial simples: gov.br/dnit
DNIT 148/2012-ES – Tratamento superficial triplo: gov.br/dnit
DNIT 031/2006-ES – Pavimentos flexíveis – Concreto asfáltico: cópia da norma em PDF
DNIT – Manual de Pavimentação, 3ª ed., 2006 (IPR-719), Tabela 32 e revestimentos por penetração: gov.br/dnit
DNIT 005/2003-TER – Defeitos nos pavimentos flexíveis e semirrígidos – Terminologia: gov.br/dnit

