
Base para asfalto: tipos, espessura e como executar
A base para asfalto é a camada que fica logo abaixo do revestimento e que de fato sustenta o peso dos veículos. Pela definição do DNIT, ela existe para resistir aos esforços verticais do tráfego e distribuí-los para as camadas de baixo. Quando um asfalto afunda, trinca em "couro de jacaré" ou abre buraco pouco tempo depois de pronto, o problema quase sempre está na base ou no solo, e não na massa asfáltica. Neste guia explicamos os tipos de base, o que as normas pedem, qual a espessura de cada camada e como a base deve ser executada antes do CBUQ.

O que é a base do asfalto e onde ela fica
Um pavimento asfáltico é um "sanduíche" de camadas. De baixo para cima, as mais comuns são:
Subleito: o terreno natural (ou o aterro) já terraplenado. Antes de receber o pavimento, ele passa pela regularização do subleito (DNIT 137/2010-ES), que acerta cotas e caimentos com cortes ou aterros de até 20 cm.
Reforço do subleito: camada opcional, usada quando o solo é fraco (DNIT 138/2010-ES).
Sub-base: camada complementar à base, usada quando não é recomendável colocar a base direto sobre o subleito (DNIT 139/2010-ES).
Base: a camada estrutural que recebe o revestimento.
Imprimação: ligante asfáltico aplicado sobre a base pronta (DNIT 144/2014-ES).
Revestimento: a massa asfáltica, normalmente CBUQ, às vezes com uma camada de binder por baixo da capa.
A base trabalha junto com essas camadas. Um revestimento bem dosado não compensa uma base fraca: ele é fino e flexível, e acompanha qualquer deformação que acontecer embaixo. Para entender a capa que vai por cima, veja O que é CBUQ.
Tipos de base para asfalto
Existem vários materiais possíveis. A escolha depende do tráfego, do solo do local, da disponibilidade de material perto da obra e do projeto.
Base de brita graduada simples (BGS)
É a mistura, feita em usina, de produtos de britagem de rocha sã enquadrados numa faixa granulométrica contínua (pedras de vários tamanhos, do pó à brita maior). Ela ganha estabilidade pelo entrosamento dos grãos e pela compactação. A especificação do DER/SP para brita graduada (ET-DE-P00/008) pede, entre outros requisitos, CBR igual ou superior a 100% e expansão de no máximo 0,3% na energia modificada. É muito usada em obras urbanas, pátios e condomínios porque tem boa capacidade de suporte, drena bem e não depende de jazida de solo.

Base estabilizada granulometricamente (solo, solo-brita)
Usa solo, mistura de solos ou solo com brita/areia, combinados para chegar a uma granulometria adequada. A norma DNIT 141/2022-ES pede, quando o projeto é dimensionado pelo método empírico:
ISC (CBR) ≥ 60% para tráfego com número N até 5 × 10⁶, e ISC ≥ 80% para N acima de 5 × 10⁶;
expansão máxima de 0,5%;
limite de liquidez ≤ 25% e índice de plasticidade ≤ 6%;
agregado com desgaste Los Angeles de no máximo 55%.
Faz sentido quando há boa jazida perto da obra.
Solo-cimento e solo melhorado com cimento
Aqui o cimento entra para aumentar a resistência do solo:
Solo melhorado com cimento (DNIT 142/2022-ES): pouco cimento, com teores que, segundo a norma, costumam ficar entre 2% e 4% em massa. O objetivo é melhorar a granulometria e reduzir a expansão.
Solo-cimento (DNIT 143/2025-ES): mistura mais rica, que precisa atingir resistência à compressão simples de pelo menos 2,1 MPa aos 7 dias. Depois de executada, a camada deve curar por no mínimo 7 dias, protegida da perda de umidade com emulsão (RR-2C ou EAI), antes de receber o revestimento.
Bases cimentadas são mais rígidas e podem ter trincas de retração que "sobem" para o asfalto se o projeto não previr isso.
Sub-base: quando é necessária
A sub-base entra quando o subleito não tem suporte suficiente para receber a base direto, ou quando o dimensionamento pede uma espessura total grande. Pela DNIT 139/2010-ES, o material de sub-base estabilizada granulometricamente deve ter ISC ≥ 20%, expansão ≤ 1% e índice de grupo igual a zero.
Espessura da base para asfalto
Não existe uma espessura única que sirva para qualquer obra. A espessura total do pavimento sai do dimensionamento, que considera o suporte do solo (CBR do subleito) e o tráfego (número N). Em São Paulo, as vias municipais seguem as Instruções de Projeto da Prefeitura (IP-02 para classificar a via e IP-04 para dimensionar pavimentos flexíveis de tráfego leve e médio).
O que as normas definem com clareza é a espessura de cada camada executada:
Base (DNIT 141/2022-ES e DNIT 143/2025-ES) e sub-base (DNIT 139/2010-ES): cada camada compactada deve ter entre 10 cm e 20 cm.
Se o projeto pedir mais de 20 cm, a camada deve ser dividida em camadas parciais, cada uma com no mínimo 10 cm depois de compactada.
Isso existe porque o rolo compactador não consegue densificar uma camada grossa demais por inteiro: o topo fica compacto e o fundo, solto. Para a espessura do revestimento que vai por cima, veja o artigo Espessura do asfalto.
Como executar a base passo a passo
Regularizar e compactar o subleito, com as cotas e caimentos do projeto. Retirar solo orgânico, raízes e entulho.
Espalhar o material em quantidade suficiente para a espessura compactada desejada, de forma uniforme e sem segregar as pedras.
Corrigir a umidade: molhar com caminhão-pipa se estiver seco, ou revolver e aerar se estiver úmido demais, até chegar à faixa de umidade ótima.
Compactar das bordas para o centro, com cada passada cobrindo metade da faixa da passada anterior. Em curvas com superelevação, da borda mais baixa para a mais alta.
Conferir o grau de compactação: pela DNIT 141/2022-ES, ele deve ser ≥ 100% em relação ao ensaio de referência.
Fazer o acabamento só por corte: a motoniveladora pode raspar o excesso, mas a norma proíbe corrigir depressões jogando material solto por cima.
Imprimar logo em seguida: a DNIT 141 manda imprimar a base imediatamente para que ela não fique exposta ao tempo. Veja quanto tempo a imprimação leva para curar.
Duas regras gerais valem para todas essas normas: não executar a base em dia de chuva e não liberar o tráfego sobre a base antes de ela ser aprovada pelo controle (em rodovias, pelo controle de deflexão).
Erros comuns na base do asfalto
Asfaltar sobre terra ou sobre o piso antigo sem avaliar o suporte: é a causa clássica de afundamentos e trincas.
Usar entulho sem controle como base: material heterogêneo, com pedaços grandes, madeira ou gesso, compacta mal e recalca com o tempo.
Camada grossa demais de uma vez só: o fundo fica sem compactação.
Esquecer a drenagem: água parada embaixo do pavimento amolece o solo e a base. Caimentos, sarjetas e drenos fazem parte da base bem feita.
Deixar a base exposta por semanas antes do revestimento: chuva e tráfego desagregam a superfície.
Como a base entra no orçamento
A base costuma ser medida em metro cúbico compactado: área × espessura da camada pronta. Por exemplo, 500 m² de base com 15 cm (0,15 m) somam 75 m³ compactados. O volume solto comprado é maior, porque o material perde volume ao ser compactado.
Ao comparar propostas, confira se está escrito qual material (BGS, solo-brita, solo-cimento), a espessura compactada de cada camada e se a regularização do subleito está incluída. Uma base mais barata e mais fina pode sair cara depois, quando o asfalto precisar ser refeito.
Perguntas frequentes
Qual a melhor base para asfalto?
Depende do solo e do tráfego. Em obras urbanas, pátios e condomínios, a brita graduada simples (BGS) é muito usada por ter bom suporte e boa drenagem. Para tráfego muito pesado, o projeto pode indicar bases cimentadas, como o solo-cimento.
Qual a espessura da base para asfalto?
A espessura total vem do dimensionamento do pavimento. Pelas normas do DNIT, cada camada de base ou sub-base deve ter entre 10 cm e 20 cm compactados; se for preciso mais de 20 cm, a base é executada em camadas, com no mínimo 10 cm cada.
Pode colocar asfalto direto na terra?
Não é recomendado. Sem base, o revestimento acompanha as deformações do solo e trinca ou afunda rapidamente. O mínimo é regularizar e compactar o subleito e executar uma base adequada ao tráfego.
Qual o CBR mínimo da base para asfalto?
Na base estabilizada granulometricamente da DNIT 141/2022-ES, o ISC (CBR) mínimo é de 60% para tráfego com N até 5 × 10⁶ e de 80% acima disso. A especificação do DER/SP para brita graduada pede CBR de pelo menos 100%.
Depois da base, o que vem antes do asfalto?
A imprimação. A base pronta recebe um ligante asfáltico (CM-30 ou emulsão EAI) que impermeabiliza e dá aderência ao revestimento. Só depois da cura vem o CBUQ.
Base e asfalto com quem executa as duas coisas
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Leia também: Imprimação e pintura de ligação: qual a diferença · Tapa-buraco no asfalto: como fazer do jeito certo
Autor: Kaio César Vidigal, Fatali Asfalto.
Fontes
DNIT 141/2022-ES – Pavimentação – Base estabilizada granulometricamente: gov.br/dnit
DNIT 139/2010-ES – Pavimentação – Sub-base estabilizada granulometricamente: gov.br/dnit
DNIT 137/2010-ES – Pavimentação – Regularização do subleito: gov.br/dnit
DNIT 142/2022-ES – Base de solo melhorado com cimento: gov.br/dnit
DNIT 143/2025-ES – Base de solo-cimento: gov.br/dnit
Prefeitura de São Paulo – Instruções de Projeto IP-02 e IP-04: prefeitura.sp.gov.br
DER/SP – ET-DE-P00/008, Sub-base ou base de brita graduada (consultar no portal de normas do DER/SP).

