top of page
Corte do pavimento mostrando capa de asfalto, base de brita, sub-base e subleito de solo

Base para asfalto: tipos, espessura e como executar

há 1 dia
6 min de leitura

A base para asfalto é a camada que fica logo abaixo do revestimento e que de fato sustenta o peso dos veículos. Pela definição do DNIT, ela existe para resistir aos esforços verticais do tráfego e distribuí-los para as camadas de baixo. Quando um asfalto afunda, trinca em "couro de jacaré" ou abre buraco pouco tempo depois de pronto, o problema quase sempre está na base ou no solo, e não na massa asfáltica. Neste guia explicamos os tipos de base, o que as normas pedem, qual a espessura de cada camada e como a base deve ser executada antes do CBUQ.

Corte do pavimento mostrando capa de asfalto, base de brita, sub-base e subleito de solo
Base para asfalto no corte do pavimento: revestimento no topo, base de brita, sub-base e subleito (solo).

O que é a base do asfalto e onde ela fica

Um pavimento asfáltico é um "sanduíche" de camadas. De baixo para cima, as mais comuns são:

  1. Subleito: o terreno natural (ou o aterro) já terraplenado. Antes de receber o pavimento, ele passa pela regularização do subleito (DNIT 137/2010-ES), que acerta cotas e caimentos com cortes ou aterros de até 20 cm.

  2. Reforço do subleito: camada opcional, usada quando o solo é fraco (DNIT 138/2010-ES).

  3. Sub-base: camada complementar à base, usada quando não é recomendável colocar a base direto sobre o subleito (DNIT 139/2010-ES).

  4. Base: a camada estrutural que recebe o revestimento.

  5. Imprimação: ligante asfáltico aplicado sobre a base pronta (DNIT 144/2014-ES).

  6. Revestimento: a massa asfáltica, normalmente CBUQ, às vezes com uma camada de binder por baixo da capa.

A base trabalha junto com essas camadas. Um revestimento bem dosado não compensa uma base fraca: ele é fino e flexível, e acompanha qualquer deformação que acontecer embaixo. Para entender a capa que vai por cima, veja O que é CBUQ.

Tipos de base para asfalto

Existem vários materiais possíveis. A escolha depende do tráfego, do solo do local, da disponibilidade de material perto da obra e do projeto.

Base de brita graduada simples (BGS)

É a mistura, feita em usina, de produtos de britagem de rocha sã enquadrados numa faixa granulométrica contínua (pedras de vários tamanhos, do pó à brita maior). Ela ganha estabilidade pelo entrosamento dos grãos e pela compactação. A especificação do DER/SP para brita graduada (ET-DE-P00/008) pede, entre outros requisitos, CBR igual ou superior a 100% e expansão de no máximo 0,3% na energia modificada. É muito usada em obras urbanas, pátios e condomínios porque tem boa capacidade de suporte, drena bem e não depende de jazida de solo.

Superfície de base de brita graduada compactada pronta para imprimação
Base de brita graduada (BGS) compactada: superfície fechada e sem material solto, pronta para a imprimação.

Base estabilizada granulometricamente (solo, solo-brita)

Usa solo, mistura de solos ou solo com brita/areia, combinados para chegar a uma granulometria adequada. A norma DNIT 141/2022-ES pede, quando o projeto é dimensionado pelo método empírico:

  • ISC (CBR) ≥ 60% para tráfego com número N até 5 × 10⁶, e ISC ≥ 80% para N acima de 5 × 10⁶;

  • expansão máxima de 0,5%;

  • limite de liquidez ≤ 25% e índice de plasticidade ≤ 6%;

  • agregado com desgaste Los Angeles de no máximo 55%.

Faz sentido quando há boa jazida perto da obra.

Solo-cimento e solo melhorado com cimento

Aqui o cimento entra para aumentar a resistência do solo:

  • Solo melhorado com cimento (DNIT 142/2022-ES): pouco cimento, com teores que, segundo a norma, costumam ficar entre 2% e 4% em massa. O objetivo é melhorar a granulometria e reduzir a expansão.

  • Solo-cimento (DNIT 143/2025-ES): mistura mais rica, que precisa atingir resistência à compressão simples de pelo menos 2,1 MPa aos 7 dias. Depois de executada, a camada deve curar por no mínimo 7 dias, protegida da perda de umidade com emulsão (RR-2C ou EAI), antes de receber o revestimento.

Bases cimentadas são mais rígidas e podem ter trincas de retração que "sobem" para o asfalto se o projeto não previr isso.

Sub-base: quando é necessária

A sub-base entra quando o subleito não tem suporte suficiente para receber a base direto, ou quando o dimensionamento pede uma espessura total grande. Pela DNIT 139/2010-ES, o material de sub-base estabilizada granulometricamente deve ter ISC ≥ 20%, expansão ≤ 1% e índice de grupo igual a zero.

Espessura da base para asfalto

Não existe uma espessura única que sirva para qualquer obra. A espessura total do pavimento sai do dimensionamento, que considera o suporte do solo (CBR do subleito) e o tráfego (número N). Em São Paulo, as vias municipais seguem as Instruções de Projeto da Prefeitura (IP-02 para classificar a via e IP-04 para dimensionar pavimentos flexíveis de tráfego leve e médio).

O que as normas definem com clareza é a espessura de cada camada executada:

  • Base (DNIT 141/2022-ES e DNIT 143/2025-ES) e sub-base (DNIT 139/2010-ES): cada camada compactada deve ter entre 10 cm e 20 cm.

  • Se o projeto pedir mais de 20 cm, a camada deve ser dividida em camadas parciais, cada uma com no mínimo 10 cm depois de compactada.

Isso existe porque o rolo compactador não consegue densificar uma camada grossa demais por inteiro: o topo fica compacto e o fundo, solto. Para a espessura do revestimento que vai por cima, veja o artigo Espessura do asfalto.

Como executar a base passo a passo

  1. Regularizar e compactar o subleito, com as cotas e caimentos do projeto. Retirar solo orgânico, raízes e entulho.

  2. Espalhar o material em quantidade suficiente para a espessura compactada desejada, de forma uniforme e sem segregar as pedras.

  3. Corrigir a umidade: molhar com caminhão-pipa se estiver seco, ou revolver e aerar se estiver úmido demais, até chegar à faixa de umidade ótima.

  4. Compactar das bordas para o centro, com cada passada cobrindo metade da faixa da passada anterior. Em curvas com superelevação, da borda mais baixa para a mais alta.

  5. Conferir o grau de compactação: pela DNIT 141/2022-ES, ele deve ser ≥ 100% em relação ao ensaio de referência.

  6. Fazer o acabamento só por corte: a motoniveladora pode raspar o excesso, mas a norma proíbe corrigir depressões jogando material solto por cima.

  7. Imprimar logo em seguida: a DNIT 141 manda imprimar a base imediatamente para que ela não fique exposta ao tempo. Veja quanto tempo a imprimação leva para curar.

Duas regras gerais valem para todas essas normas: não executar a base em dia de chuva e não liberar o tráfego sobre a base antes de ela ser aprovada pelo controle (em rodovias, pelo controle de deflexão).

Erros comuns na base do asfalto

  • Asfaltar sobre terra ou sobre o piso antigo sem avaliar o suporte: é a causa clássica de afundamentos e trincas.

  • Usar entulho sem controle como base: material heterogêneo, com pedaços grandes, madeira ou gesso, compacta mal e recalca com o tempo.

  • Camada grossa demais de uma vez só: o fundo fica sem compactação.

  • Esquecer a drenagem: água parada embaixo do pavimento amolece o solo e a base. Caimentos, sarjetas e drenos fazem parte da base bem feita.

  • Deixar a base exposta por semanas antes do revestimento: chuva e tráfego desagregam a superfície.

Como a base entra no orçamento

A base costuma ser medida em metro cúbico compactado: área × espessura da camada pronta. Por exemplo, 500 m² de base com 15 cm (0,15 m) somam 75 m³ compactados. O volume solto comprado é maior, porque o material perde volume ao ser compactado.

Ao comparar propostas, confira se está escrito qual material (BGS, solo-brita, solo-cimento), a espessura compactada de cada camada e se a regularização do subleito está incluída. Uma base mais barata e mais fina pode sair cara depois, quando o asfalto precisar ser refeito.

Perguntas frequentes

Qual a melhor base para asfalto?

Depende do solo e do tráfego. Em obras urbanas, pátios e condomínios, a brita graduada simples (BGS) é muito usada por ter bom suporte e boa drenagem. Para tráfego muito pesado, o projeto pode indicar bases cimentadas, como o solo-cimento.

Qual a espessura da base para asfalto?

A espessura total vem do dimensionamento do pavimento. Pelas normas do DNIT, cada camada de base ou sub-base deve ter entre 10 cm e 20 cm compactados; se for preciso mais de 20 cm, a base é executada em camadas, com no mínimo 10 cm cada.

Pode colocar asfalto direto na terra?

Não é recomendado. Sem base, o revestimento acompanha as deformações do solo e trinca ou afunda rapidamente. O mínimo é regularizar e compactar o subleito e executar uma base adequada ao tráfego.

Qual o CBR mínimo da base para asfalto?

Na base estabilizada granulometricamente da DNIT 141/2022-ES, o ISC (CBR) mínimo é de 60% para tráfego com N até 5 × 10⁶ e de 80% acima disso. A especificação do DER/SP para brita graduada pede CBR de pelo menos 100%.

Depois da base, o que vem antes do asfalto?

A imprimação. A base pronta recebe um ligante asfáltico (CM-30 ou emulsão EAI) que impermeabiliza e dá aderência ao revestimento. Só depois da cura vem o CBUQ.

Base e asfalto com quem executa as duas coisas

A Fatali avalia o solo e o tráfego do local, indica o tipo e a espessura da base e executa base, imprimação e revestimento em CBUQ em São Paulo e região. Tudo informado por camada no orçamento.

📞 (11) 94075-0816 (WhatsApp) · 🌐 www.fatali.com.br

Autor: Kaio César Vidigal, Fatali Asfalto.

Fontes

  • DNIT 141/2022-ES – Pavimentação – Base estabilizada granulometricamente: gov.br/dnit

  • DNIT 139/2010-ES – Pavimentação – Sub-base estabilizada granulometricamente: gov.br/dnit

  • DNIT 137/2010-ES – Pavimentação – Regularização do subleito: gov.br/dnit

  • DNIT 142/2022-ES – Base de solo melhorado com cimento: gov.br/dnit

  • DNIT 143/2025-ES – Base de solo-cimento: gov.br/dnit

  • Prefeitura de São Paulo – Instruções de Projeto IP-02 e IP-04: prefeitura.sp.gov.br

  • DER/SP – ET-DE-P00/008, Sub-base ou base de brita graduada (consultar no portal de normas do DER/SP).

  • Whatsapp
Fatali

Fatali - Empresa de Asfalto - SP

R. Dumontina, 99 - Vila Nivi, São Paulo - SP, CEP 02251-050

Horário: segunda a sexta, das 8:00 às 17:00

  • Facebook ícone social
  • Twitter
  • YouTube
  • Instagram
bottom of page