
SICRO DNIT: o que é e como usar em orçamentos de pavimentação
O SICRO (Sistema de Custos Referenciais de Obras) é o sistema do DNIT que define o custo de referência dos serviços de infraestrutura de transportes no Brasil. Quando uma obra rodoviária é licitada com dinheiro federal, é dele que sai o custo de cada serviço: terraplenagem, base, imprimação, CBUQ, fresagem, sinalização e por aí vai. Para quem trabalha com asfalto, entender o SICRO é entender como o poder público "enxerga" o custo de uma obra.
A ideia deste guia é explicar sem complicar: o que tem dentro do SICRO, onde baixar os relatórios de São Paulo, qual a diferença para o SINAPI e para a tabela SIURB, e os cuidados que a gente vê no dia a dia de quem monta ou confere um orçamento de pavimentação.

O que é o SICRO do DNIT
O SICRO é mantido e divulgado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), por meio da Coordenação-Geral de Custos de Infraestrutura de Transportes (CGCIT). Essa responsabilidade está escrita no Decreto nº 7.983/2013: pelo art. 4º, o custo global de referência das obras de infraestrutura de transportes deve ser obtido a partir de composições menores ou iguais às do SICRO.
A versão atual do sistema foi implantada em abril de 2017. Desde a referência de janeiro de 2020, o DNIT vem revisando os grupos de serviços. Por isso o próprio órgão avisa, no Informativo SICRO nº 01/2021, que os Manuais de Custos podem não bater 100% com as composições publicadas, e recomenda consultar o Relatório de Ocorrências (inclusões, exclusões e substituições de composições) antes de usar o sistema.
O que vem dentro do SICRO
Na prática, o SICRO é um grande banco de composições de custos unitários. O Decreto 7.983/2013 define bem o que é isso: o detalhamento do custo de um serviço, com descrição, quantidades, produtividades e custos de materiais, mão de obra e equipamentos para executar uma unidade de medida (m², m³, t, km).
Para o mundo do asfalto, isso quer dizer que você encontra no sistema composições para serviços como:
Terraplenagem: escavação, carga, transporte e compactação de aterro;
Base e sub-base: brita graduada, solo-brita, solo estabilizado;
Imprimação e pintura de ligação, com o ligante e a taxa de aplicação;
Revestimentos: concreto asfáltico (CBUQ), tratamentos superficiais, micro revestimento;
Restauração: fresagem, remendos, recapeamento;
Sinalização e drenagem de rodovias.
Além das composições, os relatórios trazem os custos dos insumos e dos equipamentos. Eles são publicados em versão sintética e analítica, e o arquivo de cada mês vem compactado (formato .7z).
Data-base e onde baixar o SICRO de São Paulo
Os custos do SICRO são regionalizados por estado. Isso é importante: o custo de um serviço em São Paulo não é o mesmo do Pará, porque mão de obra, insumos e equipamentos mudam de região para região.
O caminho no site do DNIT é: Custos Referenciais › Sistemas de Custos › SICRO › Relatórios › Sudeste › São Paulo. Em 2026, a página de São Paulo mostra as referências de janeiro, abril e julho. O relatório de julho de 2026 de São Paulo foi publicado em 25/09/2026 e, na data deste post, é o mais recente disponível para o estado.
Regra prática: use sempre a data-base que o edital indicar. Se você está só estimando, use a mais recente e anote no orçamento qual mês e qual estado foram usados. Um orçamento sem data-base é difícil de conferir depois, e isso costuma dar dor de cabeça em reajuste e aditivo.

SICRO, SINAPI ou SIURB: qual usar?
Essa é a dúvida que mais aparece. A Lei nº 14.133/2021 (art. 23, § 2º) responde a primeira parte: em obras e serviços de engenharia, o valor estimado deve usar, em primeiro lugar, composições menores ou iguais à mediana do SICRO, para infraestrutura de transportes, ou do SINAPI, para as demais obras. Sobre esse custo entram o BDI e os encargos sociais.
O § 3º do mesmo artigo abre uma porta importante: Municípios e Estados, quando não usam recursos da União, podem adotar seus próprios sistemas de custos. É por isso que a Prefeitura de São Paulo usa a tabela SIURB nas licitações dela, e o DER-SP tem a sua própria tabela de preços para as rodovias estaduais.
Resumindo de um jeito simples:
SICRO: rodovias e obras de transporte com recurso federal (e referência técnica para muita gente);
SINAPI: edificações e demais obras com recurso federal;
SIURB: obras da Prefeitura de São Paulo;
Tabelas estaduais (DER-SP): obras do Estado, quando o edital pedir.
Se houver dinheiro federal no meio (um convênio, por exemplo), o Decreto 7.983/2013 manda seguir as regras dele também nas licitações de Estados e Municípios.
Como usar o SICRO num orçamento de pavimentação
Ninguém precisa decorar o sistema, mas alguns cuidados evitam erros caros:
Escolha o estado e o mês certos. Composição de São Paulo para obra em São Paulo, na data-base do edital.
Leia o Relatório de Ocorrências. Uma composição pode ter sido substituída ou excluída entre um mês e outro.
Confira a unidade. CBUQ pode estar em t ou m³; imprimação em m². Trocar unidade é o erro mais comum de planilha.
Separe o transporte. O custo de levar material da usina ou da jazida até a obra depende da distância, e precisa ser calculado para o caso real.
Não esqueça o BDI. O SICRO é custo. O BDI (administração central, tributos, risco, seguro, garantia e lucro, como lista o art. 9º do Decreto 7.983) entra à parte.
Compare com o projeto. A espessura do asfalto, o tipo de base e a taxa de ligante precisam ser os do projeto, não os "padrão" de uma composição.
O SICRO serve para obra particular?
Serve como referência técnica, mas não como tabela de preço. Em um condomínio, um pátio de empresa ou um estacionamento, o valor real depende da área, da espessura, das condições da base, do acesso de caminhão e da logística da usina. Uma área pequena, por exemplo, não tem a mesma produtividade de uma rodovia, e isso muda o custo por m².
Para obra particular, o melhor caminho é um orçamento feito sobre a medição do local. Se quiser entender as etapas antes, vale ler o nosso guia de pavimentação asfáltica do zero e o post sobre o que é CBUQ.
Perguntas frequentes sobre o SICRO
O que significa SICRO?
Sistema de Custos Referenciais de Obras. É mantido pelo DNIT e usado como referência de custos para obras e serviços de infraestrutura de transportes.
O SICRO é obrigatório?
Para obras de infraestrutura de transportes com recursos da União, sim: a Lei 14.133/2021 e o Decreto 7.983/2013 colocam o SICRO como referência principal. Estados e Municípios, sem recurso federal, podem usar sistemas próprios, como a SIURB em São Paulo.
De quanto em quanto tempo o SICRO é atualizado?
Os relatórios são publicados por estado ao longo do ano. Em 2026, São Paulo tem as referências de janeiro, abril e julho publicadas. Confira sempre a página do DNIT, porque às vezes sai uma versão revisada.
Qual a diferença entre SICRO e SINAPI?
O SICRO, do DNIT, é para infraestrutura de transportes (rodovias, por exemplo). O SINAPI, mantido pela Caixa, é para as demais obras e serviços de engenharia, como edificações.
O valor do SICRO já inclui o BDI?
Não. O SICRO traz custos. O BDI e os encargos sociais cabíveis são somados depois, como prevê o art. 23, § 2º, da Lei 14.133/2021.
Autor: Kaio César Vidigal, Fatali Asfalto.
Fontes
Resumo: SICRO DNIT em poucas linhas
O SICRO é a tabela de custos de referência do DNIT para obras de infraestrutura de transportes. Ele é regionalizado por estado, publicado em relatórios por mês de referência e usado nas licitações com recurso federal. Não inclui BDI e não substitui um orçamento feito sobre a medição real da obra.
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