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Planilha de orçamento com linhas e colunas de composições de custo, sem texto

SICRO DNIT: o que é e como usar em orçamentos de pavimentação

há 11 minutos
6 min de leitura

O SICRO (Sistema de Custos Referenciais de Obras) é o sistema do DNIT que define o custo de referência dos serviços de infraestrutura de transportes no Brasil. Quando uma obra rodoviária é licitada com dinheiro federal, é dele que sai o custo de cada serviço: terraplenagem, base, imprimação, CBUQ, fresagem, sinalização e por aí vai. Para quem trabalha com asfalto, entender o SICRO é entender como o poder público "enxerga" o custo de uma obra.

A ideia deste guia é explicar sem complicar: o que tem dentro do SICRO, onde baixar os relatórios de São Paulo, qual a diferença para o SINAPI e para a tabela SIURB, e os cuidados que a gente vê no dia a dia de quem monta ou confere um orçamento de pavimentação.

Planilha de orçamento com linhas e colunas de composições de custo, sem texto
SICRO DNIT: cada serviço é uma composição de custo, que soma insumos, mão de obra e equipamentos para uma unidade de medida.

O que é o SICRO do DNIT

O SICRO é mantido e divulgado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), por meio da Coordenação-Geral de Custos de Infraestrutura de Transportes (CGCIT). Essa responsabilidade está escrita no Decreto nº 7.983/2013: pelo art. 4º, o custo global de referência das obras de infraestrutura de transportes deve ser obtido a partir de composições menores ou iguais às do SICRO.

A versão atual do sistema foi implantada em abril de 2017. Desde a referência de janeiro de 2020, o DNIT vem revisando os grupos de serviços. Por isso o próprio órgão avisa, no Informativo SICRO nº 01/2021, que os Manuais de Custos podem não bater 100% com as composições publicadas, e recomenda consultar o Relatório de Ocorrências (inclusões, exclusões e substituições de composições) antes de usar o sistema.

O que vem dentro do SICRO

Na prática, o SICRO é um grande banco de composições de custos unitários. O Decreto 7.983/2013 define bem o que é isso: o detalhamento do custo de um serviço, com descrição, quantidades, produtividades e custos de materiais, mão de obra e equipamentos para executar uma unidade de medida (m², m³, t, km).

Para o mundo do asfalto, isso quer dizer que você encontra no sistema composições para serviços como:

  • Terraplenagem: escavação, carga, transporte e compactação de aterro;

  • Base e sub-base: brita graduada, solo-brita, solo estabilizado;

  • Imprimação e pintura de ligação, com o ligante e a taxa de aplicação;

  • Revestimentos: concreto asfáltico (CBUQ), tratamentos superficiais, micro revestimento;

  • Restauração: fresagem, remendos, recapeamento;

  • Sinalização e drenagem de rodovias.

Além das composições, os relatórios trazem os custos dos insumos e dos equipamentos. Eles são publicados em versão sintética e analítica, e o arquivo de cada mês vem compactado (formato .7z).

Data-base e onde baixar o SICRO de São Paulo

Os custos do SICRO são regionalizados por estado. Isso é importante: o custo de um serviço em São Paulo não é o mesmo do Pará, porque mão de obra, insumos e equipamentos mudam de região para região.

O caminho no site do DNIT é: Custos Referenciais › Sistemas de Custos › SICRO › Relatórios › Sudeste › São Paulo. Em 2026, a página de São Paulo mostra as referências de janeiro, abril e julho. O relatório de julho de 2026 de São Paulo foi publicado em 25/09/2026 e, na data deste post, é o mais recente disponível para o estado.

Regra prática: use sempre a data-base que o edital indicar. Se você está só estimando, use a mais recente e anote no orçamento qual mês e qual estado foram usados. Um orçamento sem data-base é difícil de conferir depois, e isso costuma dar dor de cabeça em reajuste e aditivo.

Rodovia vista de cima com pista asfaltada, faixa central amarela e acostamento
O SICRO é a referência de custos para obras de infraestrutura de transportes, como rodovias e seus acessos.

SICRO, SINAPI ou SIURB: qual usar?

Essa é a dúvida que mais aparece. A Lei nº 14.133/2021 (art. 23, § 2º) responde a primeira parte: em obras e serviços de engenharia, o valor estimado deve usar, em primeiro lugar, composições menores ou iguais à mediana do SICRO, para infraestrutura de transportes, ou do SINAPI, para as demais obras. Sobre esse custo entram o BDI e os encargos sociais.

O § 3º do mesmo artigo abre uma porta importante: Municípios e Estados, quando não usam recursos da União, podem adotar seus próprios sistemas de custos. É por isso que a Prefeitura de São Paulo usa a tabela SIURB nas licitações dela, e o DER-SP tem a sua própria tabela de preços para as rodovias estaduais.

Resumindo de um jeito simples:

  • SICRO: rodovias e obras de transporte com recurso federal (e referência técnica para muita gente);

  • SINAPI: edificações e demais obras com recurso federal;

  • SIURB: obras da Prefeitura de São Paulo;

  • Tabelas estaduais (DER-SP): obras do Estado, quando o edital pedir.

Se houver dinheiro federal no meio (um convênio, por exemplo), o Decreto 7.983/2013 manda seguir as regras dele também nas licitações de Estados e Municípios.

Como usar o SICRO num orçamento de pavimentação

Ninguém precisa decorar o sistema, mas alguns cuidados evitam erros caros:

  1. Escolha o estado e o mês certos. Composição de São Paulo para obra em São Paulo, na data-base do edital.

  2. Leia o Relatório de Ocorrências. Uma composição pode ter sido substituída ou excluída entre um mês e outro.

  3. Confira a unidade. CBUQ pode estar em t ou m³; imprimação em m². Trocar unidade é o erro mais comum de planilha.

  4. Separe o transporte. O custo de levar material da usina ou da jazida até a obra depende da distância, e precisa ser calculado para o caso real.

  5. Não esqueça o BDI. O SICRO é custo. O BDI (administração central, tributos, risco, seguro, garantia e lucro, como lista o art. 9º do Decreto 7.983) entra à parte.

  6. Compare com o projeto. A espessura do asfalto, o tipo de base e a taxa de ligante precisam ser os do projeto, não os "padrão" de uma composição.

O SICRO serve para obra particular?

Serve como referência técnica, mas não como tabela de preço. Em um condomínio, um pátio de empresa ou um estacionamento, o valor real depende da área, da espessura, das condições da base, do acesso de caminhão e da logística da usina. Uma área pequena, por exemplo, não tem a mesma produtividade de uma rodovia, e isso muda o custo por m².

Para obra particular, o melhor caminho é um orçamento feito sobre a medição do local. Se quiser entender as etapas antes, vale ler o nosso guia de pavimentação asfáltica do zero e o post sobre o que é CBUQ.

Perguntas frequentes sobre o SICRO

O que significa SICRO?

Sistema de Custos Referenciais de Obras. É mantido pelo DNIT e usado como referência de custos para obras e serviços de infraestrutura de transportes.

O SICRO é obrigatório?

Para obras de infraestrutura de transportes com recursos da União, sim: a Lei 14.133/2021 e o Decreto 7.983/2013 colocam o SICRO como referência principal. Estados e Municípios, sem recurso federal, podem usar sistemas próprios, como a SIURB em São Paulo.

De quanto em quanto tempo o SICRO é atualizado?

Os relatórios são publicados por estado ao longo do ano. Em 2026, São Paulo tem as referências de janeiro, abril e julho publicadas. Confira sempre a página do DNIT, porque às vezes sai uma versão revisada.

Qual a diferença entre SICRO e SINAPI?

O SICRO, do DNIT, é para infraestrutura de transportes (rodovias, por exemplo). O SINAPI, mantido pela Caixa, é para as demais obras e serviços de engenharia, como edificações.

O valor do SICRO já inclui o BDI?

Não. O SICRO traz custos. O BDI e os encargos sociais cabíveis são somados depois, como prevê o art. 23, § 2º, da Lei 14.133/2021.

Autor: Kaio César Vidigal, Fatali Asfalto.

Fontes

Resumo: SICRO DNIT em poucas linhas

O SICRO é a tabela de custos de referência do DNIT para obras de infraestrutura de transportes. Ele é regionalizado por estado, publicado em relatórios por mês de referência e usado nas licitações com recurso federal. Não inclui BDI e não substitui um orçamento feito sobre a medição real da obra.

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