
Tabela SIURB: o que é e como usar em orçamentos de pavimentação
A tabela SIURB é a tabela oficial de custos de obras da Prefeitura de São Paulo, publicada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB). Ela traz o custo de referência de cada serviço (pavimentação, drenagem, terraplenagem, edificações) e de cada insumo, e é usada para montar o orçamento das licitações da Prefeitura. Para quem trabalha com asfalto, ela é uma régua importante: mostra como o poder público calcula o custo de um serviço, item por item.
Neste guia explicamos o que tem dentro da tabela, a diferença entre as versões onerada e desonerada, como achar a versão certa e como usar (e não usar) a SIURB num orçamento de pavimentação.

O que é a tabela SIURB
SIURB é a sigla da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo. A Divisão de Preços e Custos da secretaria elabora as Tabelas de Custos Unitários de Infraestrutura Urbana e Edificações e publica tudo no portal da Prefeitura, em arquivos Excel e Word.
Segundo o despacho que aprovou a tabela de data-base janeiro de 2026, ela passa a ser adotada em todas as licitações da secretaria a partir da publicação. E um detalhe que muita gente esquece: os valores são de custo, sem o BDI. O BDI (benefícios e despesas indiretas) é aplicado à parte, e a própria Prefeitura publica uma planilha de BDI junto com as tabelas.
O que vem dentro da tabela
Cada edição traz um pacote de arquivos. Pelos despachos da Prefeitura, os elementos são:
Mão de obra mensalista e horista;
Materiais (insumos), como CAP, emulsão, brita e areia;
Equipamentos, com custos unitários, parâmetros e memória de cálculo;
Composições auxiliares;
Composições de custos unitários, que mostram de onde sai o custo de cada serviço;
Tabela de custos unitários, o "resumo" com o custo final de cada serviço;
Critérios de medição, que dizem como cada serviço é medido e pago;
Encargos sociais e BDI.
Tudo isso vem separado em dois cadernos: Infraestrutura Urbana (onde ficam os serviços de pavimentação) e Edificações. Há ainda um Caderno de Detalhes Técnicos.
Data-base: qual versão usar
A tabela é atualizada, normalmente, em duas datas-base por ano: janeiro e julho. A publicação acontece alguns meses depois da data-base. Exemplo real:
Data-base janeiro de 2026: publicada em 6 de abril de 2026;
Data-base julho de 2026: publicada em 16 de setembro de 2026, com rerratificação publicada em 1º de outubro de 2026. Na data deste post, é a versão mais recente disponível no portal.
As versões anteriores continuam disponíveis no mesmo endereço (no caderno de Infraestrutura, desde 2005). Isso é útil para conferir o orçamento de uma licitação antiga ou fazer reajuste de contrato. Regra prática: use sempre a data-base que o edital indicar. Se você está fazendo uma estimativa por conta própria, use a mais recente e anote a data-base no orçamento.
Onerada x desonerada: qual a diferença
Cada edição sai em duas versões:
Onerada (sem desoneração): para empresas que recolhem a contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento, com INSS de 20% nos encargos sociais.
Desonerada (com desoneração): feita para atender a Lei nº 13.161/2015, que permitiu a contribuição sobre a receita bruta (4,5%) para atividades dos grupos 41 e 43 da CNAE, que incluem construção e serviços especializados de obras.
Na prática, muda o percentual de leis sociais sobre a mão de obra. Na data-base janeiro de 2026, por exemplo, o despacho da Prefeitura informa 156,70% de leis sociais para o horista na tabela onerada e 143,62% na desonerada (o mensalista ficou em 98,72% nas duas). Por isso, o mesmo serviço pode ter custo diferente em cada versão. Escolha a versão que corresponde ao regime tributário da empresa, ou a que o edital pedir.
SIURB, SINAPI ou SICRO?
A Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021, art. 23) define a referência de custos de obras públicas:
Em obras e serviços de engenharia, a ordem é usar o SICRO (DNIT) para infraestrutura de transportes e o SINAPI (Caixa/IBGE) para as demais obras, acrescidos de BDI e encargos sociais (§ 2º).
Mas Municípios, Estados e o Distrito Federal, quando a obra não envolve recursos da União, podem usar outros sistemas de custos adotados pelo próprio ente (§ 3º). É o caso da SIURB nas obras da Prefeitura de São Paulo.
O TCU lembra que, se a obra usa verba federal (um convênio, por exemplo), valem as regras do § 2º, com SICRO e SINAPI como referência. Ou seja: a tabela de referência depende de quem contrata e de onde vem o dinheiro.
Como consultar um serviço de pavimentação
Entre na página Tabelas de Custos da Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras no portal da Prefeitura.
Escolha a versão (onerada ou desonerada) e baixe, em Infraestrutura Urbana, os arquivos de Custos Unitários e Composições de Custos.
No arquivo de custos unitários, procure o serviço pela descrição (por exemplo, por "concreto asfáltico", "imprimação", "pintura de ligação" ou "fresagem") e anote o código, a unidade e o custo.
Abra a composição do mesmo código para ver o que entra no custo: quantidade de cada insumo, horas de equipe e de equipamento.
Leia o critério de medição do serviço. Ele diz o que está incluso, como se mede e o que é pago à parte.
Some o BDI adequado, que não está no custo da tabela.

Erros comuns ao usar a tabela SIURB
Esquecer o BDI ou somar BDI duas vezes.
Misturar versões: custo de uma data-base com composição de outra.
Trocar onerada por desonerada sem olhar o regime da empresa.
Ignorar o critério de medição: um serviço pode ser medido por área, por volume ou por peso, e o transporte pode ser pago em outro item.
Comparar só o número final: a composição mostra a produtividade e os equipamentos que a Prefeitura considerou, que podem não ser os da sua obra.
Dá para usar a SIURB em obra particular?
Pode servir como referência, mas não como preço de mercado. A tabela foi feita para obras públicas na cidade de São Paulo, com escala, logística e exigências de fiscalização próprias. Numa obra particular (condomínio, galpão, estacionamento), o custo real depende da área, do acesso, da espessura, da distância da usina e do volume. Uma área pequena, por exemplo, tem custo de mobilização que a composição não reflete.
O melhor uso em obra particular é entender o que deve estar no orçamento: as camadas, as unidades e os serviços que não podem faltar. Para isso, vale ler também o nosso guia de pavimentação asfáltica do zero, o post sobre espessura do asfalto e o de recapeamento asfáltico.
Perguntas frequentes
O que significa SIURB?
É a sigla da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras da Prefeitura de São Paulo, que publica a tabela de custos usada nas suas licitações.
A tabela SIURB inclui BDI?
Não. Os valores são de custo direto (mão de obra com leis sociais, materiais, equipamentos e veículos). O BDI é aplicado à parte, e a Prefeitura publica uma planilha de BDI junto com as tabelas.
Qual a diferença entre SIURB onerada e desonerada?
A onerada considera INSS de 20% sobre a folha nos encargos sociais; a desonerada considera a contribuição sobre a receita bruta prevista na Lei 13.161/2015. Muda o percentual de leis sociais da mão de obra.
Com que frequência a tabela SIURB é atualizada?
Normalmente há duas datas-base por ano, janeiro e julho. A publicação sai alguns meses depois; a data-base julho de 2026 foi publicada em 16/09/2026.
Onde baixar a tabela SIURB?
No portal da Prefeitura de São Paulo, na página Tabelas de Custos da Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras, em Excel e Word, com as versões atuais e anteriores.
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Autor: Kaio César Vidigal, Fatali Asfalto.
Fontes
Prefeitura de São Paulo – Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras – Tabelas de Custos (data-base julho/2026 e anteriores): prefeitura.sp.gov.br
Despacho da Tabela de Custos nº 76, data-base janeiro/2026 (reproduzido pelo Sinesp): sinesp.org.br
Lei nº 14.133/2021, art. 23: planalto.gov.br
TCU – Licitações e Contratos, orçamento detalhado da obra (SICRO, SINAPI e tabelas de estados e municípios): licitacoesecontratos.tcu.gov.br
TCE-SP – Lei 14.133/2021 comentada, art. 23: tce.sp.gov.br

