
Compactação do asfalto: rolos, temperatura e grau de compactação
A compactação do asfalto é a etapa em que a massa quente, recém-espalhada, é apertada pelos rolos até virar uma camada densa e resistente. Parece só "passar o rolo por cima", mas é aqui que se decide boa parte da vida do pavimento. A mesma massa, da mesma usina, pode durar muito ou estragar cedo dependendo de como foi rolada, em que temperatura e com quais equipamentos.
Neste guia explicamos o que a norma do DNIT pede, quais rolos entram em cada fase, por que a temperatura manda em tudo e como conferir o resultado, em rodovia ou em pátio, condomínio e estacionamento.

O que é a compactação do asfalto e por que ela importa
Quando sai da vibroacabadora, o CBUQ está solto, cheio de vazios entre as pedras. A compactação aproxima os grãos, expulsa o ar e deixa a camada com a densidade prevista no projeto.
O Manual de Restauração de Pavimentos Asfálticos do DNIT (IPR-720) resume bem a importância disso: a densificação causada pelo tráfego pode ser controlada pela compactação adequada no momento da construção, e quanto mais compactado estiver o material, maior a resistência ao cisalhamento e menor a entrada de água.
Na prática, uma camada mal compactada costuma dar três tipos de problema:
Afunda na trilha das rodas, porque o tráfego termina a compactação que a obra não fez. Veja o guia sobre afundamento no asfalto.
Deixa a água entrar, o que acelera o envelhecimento e o descolamento do ligante, um caminho direto para o asfalto esfarelando.
Trinca antes da hora, principalmente nas emendas. Entenda os tipos em trincas no asfalto.
Rolos usados na compactação do asfalto
A norma DNIT 031/2024-ES, que trata do concreto asfáltico, determina que a compactação seja feita com rolos autopropelidos de dois tipos: pneumáticos e metálicos lisos duplo tandem (estáticos ou vibratórios). Ela também proíbe o uso de rolos de solo adaptados: o equipamento tem que ser próprio para mistura asfáltica.
Rolo liso tandem
Tem dois cilindros de aço. É ele que abre e fecha a rolagem: a primeira passada acomoda a massa e evita que o rolo de pneus deixe marcas; a última dá o acabamento liso da superfície. Pode trabalhar estático ou vibrando, conforme o que for definido no trecho experimental.
Rolo de pneus (pneumático)
Faz o "miolo" da compactação. Os pneus amassam a mistura e fecham a textura de um jeito que o cilindro de aço não consegue. A DNIT 031/2024-ES pede peso mínimo de 3 toneladas por roda (com lastro), pressão dos pneus calibrável entre 35 psi e 120 psi, mantida constante, e pneus em bom estado, da mesma altura e alinhados, para não deixar marcas.
Placa vibratória e ferramentas manuais
Cantos, bordas junto a muros, caixas de passagem e áreas onde o rolo não entra são compactados com placas vibratórias, como prevê a própria norma. Pás, rastelos e rodos metálicos ficam para ajustes pontuais.
Os rolos precisam molhar pneus e cilindros com antiaderente para a massa não grudar, mas sem exagero, porque água demais esfria a mistura. Se você vai alugar equipamento, veja o nosso texto sobre locação de rolo para asfalto.
Temperatura de compactação: o fator que mais pesa
Asfalto só compacta bem enquanto está quente. Depois que esfria, o ligante endurece e os grãos param de se acomodar, por mais que o rolo passe.
A DNIT 031/2024-ES define a faixa de temperatura de rolagem pela viscosidade do ligante (CAP): entre 125 SSF e 155 SSF no viscosímetro Saybolt-Furol, ou entre 0,25 Pa.s e 0,31 Pa.s no rotacional. O laboratório transforma isso em graus para cada CAP. Além disso:
o CAP não pode estar abaixo de 107 °C nem acima de 177 °C durante a produção e a execução;
a rolagem deve começar imediatamente após a distribuição, e a norma recomenda trabalhar na temperatura mais alta possível dentro da faixa;
a temperatura da massa é medida a cada carga, logo antes de começar a compactar, e não deve variar mais de ±5 °C em relação ao projeto; temperaturas abaixo de 145 °C devem ser evitadas.
Por isso a logística conta tanto quanto o equipamento: caminhão lonado, usina a uma distância compatível e equipe pronta quando a massa chega. Depois de compactada, a camada ainda precisa esfriar antes de receber carros; explicamos isso em quanto tempo o asfalto seca.

Sequência da rolagem, passo a passo
A DNIT 031/2024-ES descreve uma sequência que serve de referência também para obras menores:
Primeira passada com o rolo liso tandem, para assentar a massa.
Rolo de pneus, com pressão constante, fazendo a maior parte da densificação.
Acabamento com o rolo liso tandem, apagando marcas de pneu.
Sentido longitudinal, das bordas para o centro; em curvas com inclinação, sempre do lado mais baixo para o mais alto.
Sobreposição de pelo menos metade da largura a cada nova passada.
Sem manobras sobre a massa quente: a norma proíbe mudar de direção, inverter a marcha bruscamente ou estacionar o rolo sobre o revestimento recém-rolado.
O número de passadas, a frequência de vibração e a pressão dos pneus não vêm de tabela: são definidos no segmento experimental, o primeiro trecho da obra, e depois repetidos no restante.
Juntas e emendas
Na retomada do serviço, a norma pede que a emenda transversal seja compactada com o rolo atravessado em relação ao eixo, com um terço sobre o trecho já pronto e dois terços sobre a massa nova. A emenda deve ser reta.
Grau de compactação: como saber se ficou bom
O resultado da compactação é medido pelo grau de compactação (GC): a densidade da camada na pista dividida pela densidade obtida na dosagem do laboratório, em porcentagem.
Pela DNIT 031/2024-ES:
é feita no mínimo uma determinação a cada 100 m, em pontos sorteados;
a medição pode ser feita com densímetro não nuclear calibrado (DNIT 431-ME) ou com corpos de prova extraídos por sonda rotativa (DNIT 428-ME), sempre depois do completo resfriamento;
não são aceitos valores de GC abaixo de 97% nem acima de 100%, com controle estatístico.
Outro detalhe que influencia: a espessura compactada deve ser de pelo menos 2,5 vezes o tamanho nominal máximo do agregado da faixa escolhida. Camada fina demais para a pedra usada não fecha direito. Veja a espessura do asfalto indicada para cada uso.
Compactação do asfalto em obras particulares
Em condomínio, garagem ou pátio de empresa nem sempre há ensaio de laboratório, mas a lógica é a mesma:
Base primeiro. Não adianta compactar bem a capa sobre base fofa. Confira o guia de base para asfalto.
Superfície limpa e preparada, com imprimação ou pintura de ligação conforme o caso.
Rolo compatível com a área e placa vibratória para os cantos.
Massa chegando quente e equipe pronta para rolar na hora.
Peça registro: temperatura da massa, espessura e, em áreas maiores, ensaio de grau de compactação.
Sinais de que a compactação falhou
marcas de pneu ou "degraus" que não somem;
textura aberta, com pedras aparentes e aspecto poroso;
água empoçando nas trilhas de roda pouco tempo depois da obra;
emendas abrindo ou esfarelando.
Perguntas frequentes
Qual rolo é usado na compactação do asfalto?
A DNIT 031/2024-ES pede rolos próprios para mistura asfáltica: rolo liso duplo tandem (estático ou vibratório) para iniciar e finalizar, e rolo de pneus para a compactação principal. Em cantos, placa vibratória.
Qual o grau de compactação exigido para o asfalto?
Pela DNIT 031/2024-ES, o grau de compactação do concreto asfáltico deve ficar entre 97% e 100% da densidade de projeto, com no mínimo uma determinação a cada 100 m.
Em que temperatura o asfalto deve ser compactado?
Na faixa definida pela viscosidade do CAP no laboratório, o mais quente possível dentro dela. A norma pede evitar massa abaixo de 145 °C no início da rolagem e CAP entre 107 °C e 177 °C.
Quantas passadas de rolo são necessárias?
Não existe número fixo. A quantidade de passadas, a pressão dos pneus e a vibração são definidas no segmento experimental, até atingir o grau de compactação especificado.
Pode usar rolo de compactar terra no asfalto?
Não. A DNIT 031/2024-ES não permite rolos compactadores de solos adaptados. O rolo deve ser específico para misturas asfálticas.
Autor: Kaio César Vidigal, Fatali Asfalto.
Fontes
Resumo: compactação do asfalto
A compactação do asfalto é feita com rolo liso tandem e rolo de pneus, começando logo após o espalhamento e com a massa ainda quente. A DNIT 031/2024-ES pede grau de compactação entre 97% e 100%, medido a cada 100 m. Compactação bem feita evita afundamento, entrada de água e desgaste precoce.
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