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Pavimento asfáltico com afundamento nas trilhas de roda e água acumulada

Afundamento no asfalto: trilha de roda, causas e como corrigir

há 12 minutos
6 min de leitura

Afundamento no asfalto é uma depressão que fica marcada no pavimento e não volta mais. Às vezes aparece como dois "canais" paralelos onde os pneus passam; outras vezes, como uma bacia isolada perto de uma doca, de uma caixa de passagem ou de uma vaga onde o caminhão sempre para. Em dia de chuva a água se acumula ali, e é aí que muita gente percebe o problema.

O afundamento pode ser só da capa ou pode vir lá de baixo, da base e do solo. Entender qual é o caso é o que separa um reparo que dura de um remendo que volta a afundar na próxima temporada. Neste guia mostramos como o DNIT classifica o defeito, as causas mais comuns e o que fazer em pátios, condomínios, estacionamentos e ruas internas.

Pavimento asfáltico com afundamento nas trilhas de roda e água acumulada
Afundamento no asfalto na trilha de roda: a água parada nos canais é o sinal mais fácil de enxergar.

O que é afundamento no asfalto

A norma DNIT 005/2003-TER, que padroniza os nomes dos defeitos em pavimentos flexíveis, define afundamento como uma deformação permanente caracterizada por depressão da superfície do pavimento, acompanhada ou não de solevamento. Solevamento é aquele "calombo" que sobe ao lado da depressão, como se a massa tivesse sido empurrada para fora.

Tipos de afundamento segundo o DNIT

A mesma norma divide o defeito em dois grupos, cada um com versão local e de trilha de roda:

  • Afundamento plástico: causado pela fluência plástica de uma ou mais camadas do pavimento ou do subleito, com solevamento. Até 6 m de extensão é local (ALP); acima de 6 m, ao longo da trilha de roda, é da trilha de roda (ATP).

  • Afundamento de consolidação: causado pela consolidação diferencial de camadas do pavimento ou do subleito, sem solevamento. Também pode ser local (ALC) ou da trilha de roda (ATC).

A diferença é útil na obra. Quando há solevamento, a massa "escorreu" para os lados, o que aponta muitas vezes para a mistura asfáltica ou para uma camada instável. Quando a depressão é limpa, sem calombo, o mais comum é que algo embaixo tenha cedido: base mal compactada, solo mole ou água.

Principais causas do afundamento no asfalto

O Manual de Restauração de Pavimentos Asfálticos do DNIT (IPR-720) organiza as causas da deformação permanente em dois blocos.

Causas ligadas ao tráfego

  • Carga concentrada ou excessiva: poucas passagens de veículos muito pesados, ou pneus com pressão alta, podem romper o material por cisalhamento. O resultado é fluência plástica, com afundamento sob a roda e solevamento ao redor.

  • Carga estática ou de longa duração: caminhão parado em doca, carreta estacionada sempre na mesma vaga. A mistura asfáltica tem comportamento viscoso e vai cedendo com o tempo.

  • Muitas repetições de carga: cargas comuns, mas em grande número, vão acumulando pequenas deformações até formar os canais nas trilhas de roda.

Causas que não dependem do tráfego

  • Solo expansivo no subleito, que incha e deforma o pavimento.

  • Solos compressíveis na fundação, que geram recalque diferencial.

O que vemos com frequência em obras particulares

Somando ao que diz o manual, alguns fatores aparecem muito em pátios e condomínios: base executada sem controle, aterro de vala mal compactado (de rede de água, esgoto ou elétrica), água entrando pela lateral ou por trincas, capa fina para caminhão e falhas na compactação do asfalto. O IPR-720 lembra que a densificação pode ser controlada pela compactação adequada no momento da construção.

Por que o afundamento é perigoso

O afundamento não é só estético:

  • Acumula água. Segundo o IPR-720, em pavimentos com pouca inclinação transversal, quando a profundidade nas trilhas de roda chega a cerca de 13 mm já existe condição para acúmulo de água suficiente para hidroplanagem.

  • Piora o rolamento e a segurança, principalmente para motos e bicicletas.

  • Acelera outros defeitos. A água parada infiltra, enfraquece a base e abre caminho para trincas no asfalto e buracos.

Como medir o afundamento

Em rodovias, o DNIT mede a profundidade da trilha de roda com uma treliça de alumínio de 1,20 m de base, que registra a flecha em milímetros nas trilhas interna e externa. Esses valores entram no cálculo do IGG, índice usado para avaliar a condição da superfície.

O IPR-720 cita como um dos indicativos de comprometimento estrutural o afundamento nas trilhas de roda acima de 1,2 cm.

Em um pátio ou condomínio, dá para fazer uma checagem simples: apoiar uma régua reta de alumínio atravessada sobre a trilha e medir com trena a maior folga até o asfalto. Fotos depois da chuva, mostrando onde a água fica, também ajudam muito na avaliação.

Régua de alumínio apoiada sobre afundamento no asfalto para medir a profundidade
Medição do afundamento no asfalto com régua reta: a folga sob a régua indica a profundidade da depressão.

Como corrigir o afundamento no asfalto

Não existe um reparo único. O certo depende de onde está a deformação:

  1. Afundamento só na capa (plástico, com solevamento): remover a camada deformada com fresagem e aplicar capa nova com mistura bem dosada e compactada. Se houver excesso de ligante, vale ler sobre asfalto derretendo e exsudação.

  2. Afundamento local de consolidação (base ou solo cedeu): recorte, retirada do material até encontrar camada firme, recomposição e compactação da base e nova capa. É o chamado remendo profundo, previsto entre os serviços de recuperação de defeitos da DNIT 154/2010-ES.

  3. Afundamento generalizado nas trilhas: quando o defeito é extenso, os reparos pontuais deixam de compensar. Entra a avaliação estrutural para fresagem e recapeamento ou reforço, com espessura definida para o tráfego real.

  4. Sempre tratar a drenagem: se a água continuar chegando à base, o afundamento volta.

O erro mais comum: só encher a depressão

Jogar massa por cima para "nivelar" melhora a aparência por um tempo, mas não resolve a causa. Se a base cedeu, ela continua cedendo; se a mistura escorreu, a nova camada sobre a antiga tende a deformar de novo. Para buracos já abertos, o caminho é outro: veja tapa-buraco no asfalto.

Como evitar o afundamento

  • Base e sub-base bem executadas e compactadas. Veja os tipos em base para asfalto.

  • Espessura compatível com a carga. Doca de caminhão não é garagem de carro; confira a espessura do asfalto para cada uso.

  • Mistura dosada para o uso, sem excesso de ligante. Em tráfego pesado e calor, o projeto pode prever asfalto modificado com polímeros.

  • Valas bem reaterradas antes de pavimentar.

  • Drenagem e caimento que tirem a água da pista.

  • Vistoria periódica dentro de um plano de manutenção de asfalto.

Perguntas frequentes

O que causa afundamento no asfalto?

Pelo IPR-720 do DNIT, as causas ligadas ao tráfego são carga excessiva, carga parada por muito tempo e grande número de repetições. Fora do tráfego, solo expansivo ou compressível. Base mal compactada e água também contribuem muito.

Qual a diferença entre afundamento plástico e de consolidação?

Pela DNIT 005/2003-TER, o plástico vem com solevamento (a massa sobe ao lado da depressão); o de consolidação não tem solevamento e normalmente indica que uma camada de baixo cedeu.

Afundamento na trilha de roda é estrutural?

Pode ser. O IPR-720 cita afundamento nas trilhas de roda acima de 1,2 cm como um dos indicativos de comprometimento estrutural. Abaixo disso, ainda vale investigar a causa antes de definir o reparo.

Dá para corrigir afundamento só colocando asfalto por cima?

Em geral não. Encher a depressão disfarça por um tempo, mas se a base cedeu ou a mistura é instável o afundamento volta. O reparo certo remove a parte deformada e corrige a causa.

Afundamento com água parada é perigoso?

Sim. O IPR-720 indica que, em pistas com pouca inclinação, trilhas de roda com cerca de 13 mm já podem acumular água suficiente para hidroplanagem, além de acelerar trincas e buracos.

Autor: Kaio César Vidigal, Fatali Asfalto.

Fontes

Resumo: afundamento no asfalto

Afundamento no asfalto é uma deformação permanente que pode ser plástica (com solevamento) ou de consolidação (sem solevamento), local ou ao longo da trilha de roda. As causas vão de carga pesada e parada a base fraca, solo ruim e água. O reparo certo remove a parte deformada, corrige a base e a drenagem e só então refaz a capa.

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