
Terraplenagem ou terraplanagem: qual o certo e o que é o serviço
As duas grafias estão corretas e constam no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras. "Terraplenagem" é a forma tradicional, preferida pelos dicionários e usada nas normas técnicas; "terraplanagem" é a variante não preferencial, muito comum na fala. Resolvida a dúvida de português, vem a parte que importa para a obra: o que é a terraplenagem, como ela é feita e por que ela decide se o asfalto vai durar. É o que explicamos neste guia, com base nas normas de terraplenagem do DNIT.

Terraplenagem ou terraplanagem: de onde vem cada palavra
Terraplenagem vem de terraplenar (de terrapleno, terra "plena", cheia). É a grafia histórica, registrada no Houaiss e usada nas normas do DNIT, como a série "Terraplenagem" (DNIT 104 a 108).
Terraplanagem vem de terraplanar (deixar a terra plana). Dicionários como o Houaiss e o Michaelis a registram como forma não preferencial, que remete a "terraplenagem".
Em projetos, contratos, licitações e memoriais, prefira terraplenagem. Numa conversa ou numa busca no Google, as duas palavras levam ao mesmo serviço.
O que é terraplenagem
Terraplenagem é o conjunto de operações que transforma o terreno natural numa plataforma nas cotas e inclinações do projeto: limpar, escavar onde está alto (corte), transportar e depositar onde está baixo (aterro) e compactar. Ela é a primeira etapa de qualquer obra de pavimentação: sobre a plataforma terraplenada vêm a base para asfalto, a imprimação e o revestimento.
As etapas da terraplenagem
1. Serviços preliminares: limpeza do terreno
A norma DNIT 104/2009-ES chama de serviços preliminares a preparação das áreas pela remoção de árvores, arbustos, tocos, raízes, entulho e outros obstáculos. Inclui o desmatamento, o destocamento e a retirada da camada vegetal. Dois pontos práticos da norma:
nas áreas de corte, a camada de 60 cm abaixo do greide projetado deve ficar totalmente livre de tocos e raízes;
nas áreas de aterro com altura abaixo de 2,00 m, a camada superficial com raízes e restos vegetais deve ser removida.
Solo orgânico e entulho não servem para aterro: se ficarem por baixo, apodrecem ou recalcam e o pavimento afunda.
2. Corte
Corte é a escavação do terreno natural dentro dos limites do projeto (DNIT 106/2009-ES). A norma classifica o material escavado em três categorias:
1ª categoria: solos em geral e pedras com diâmetro abaixo de 0,15 m, escavados com trator (dozer) ou scraper;
2ª categoria: materiais mais resistentes, que exigem escarificação pesada, incluindo matacões de 0,15 m a 1,00 m e blocos de rocha abaixo de 2 m³;
3ª categoria: rocha sã e blocos maiores, que exigem uso contínuo de explosivos.
A categoria muda muito o custo e o prazo, por isso aparece separada nos orçamentos. Ao chegar ao nível da plataforma, se aparecer solo com expansão maior que 2% e baixa capacidade de suporte, a DNIT 106 prevê a remoção com rebaixamento de 0,60 m.
3. Empréstimo e bota-fora
Quando o corte não fornece terra suficiente (ou boa o bastante) para os aterros, usa-se empréstimo: áreas de onde se retira material para completar a plataforma (DNIT 107/2009-ES). O contrário é o bota-fora: material de corte não aproveitado, por má qualidade ou excesso de volume, levado a um local de depósito definido. Equilibrar corte e aterro dentro do próprio terreno reduz viagens de caminhão e custo.
4. Aterro em camadas compactadas
O aterro é o depósito de material de corte ou de empréstimo para chegar ao greide do projeto. A DNIT 108/2009-ES é a referência:
o aterro é lançado em camadas sucessivas;
no corpo do aterro, cada camada compactada não deve passar de 0,30 m;
nas camadas finais, o limite é 0,20 m; a camada final tem 60 cm, com material selecionado;
a compactação é feita na umidade ótima, com tolerância de ±3%, até 100% da massa específica aparente seca máxima do ensaio de compactação indicado;
o que não atingir a compactação deve ser escarificado, umedecido e recompactado.

5. Acabamento da plataforma e drenagem
Por fim, a plataforma é regularizada com motoniveladora, com os caimentos para a água escoar, e os taludes são protegidos. Sem drenagem, a água da chuva amolece o solo compactado e todo o trabalho se perde.
Equipamentos usados
A DNIT 108 lista, entre outros: escavo-transportadores (scrapers), caminhões basculantes, motoniveladoras e rolos lisos, de pneus e pé de carneiro, estáticos ou vibratórios. Em obras urbanas menores também entram escavadeiras hidráulicas, pás carregadeiras e retroescavadeiras.
Por que a terraplenagem decide a vida do asfalto
O asfalto é uma capa fina sobre um conjunto de camadas. Se o aterro foi mal compactado, ou se ficou solo mole ou orgânico embaixo, o pavimento afunda, trinca e abre buracos, por melhor que seja a massa asfáltica. Por isso vale pedir o controle de compactação (grau de compactação medido em campo) e, de preferência, contratar terraplenagem e pavimentação com a mesma empresa. Veja como as camadas se encaixam no guia de pavimentação asfáltica do zero e quanto de asfalto vai por cima em espessura do asfalto.
O que mandar para o orçamento de terraplenagem
Endereço e área aproximada (m²);
Fotos mostrando desníveis, taludes e água parada;
Levantamento topográfico ou projeto, se houver;
O uso final: pátio de caminhão, estacionamento, rua de condomínio ou platô;
Se a terra vai sair da obra ou se é preciso trazer aterro;
Acesso para caminhão e prazo desejado.
O preço é sob consulta: depende do volume de corte e aterro, da categoria do material, da distância do bota-fora e da compactação exigida. Se a obra for em Guarulhos, veja também terraplenagem em Guarulhos.
Perguntas frequentes
O certo é terraplenagem ou terraplanagem?
As duas grafias constam no VOLP da Academia Brasileira de Letras. Terraplenagem é a forma tradicional e preferida pelos dicionários e pelas normas técnicas; terraplanagem é a variante não preferencial.
Qual a diferença entre terraplenagem e pavimentação?
A terraplenagem prepara o terreno (limpeza, corte, aterro e compactação) até a plataforma do projeto. A pavimentação vem depois: sub-base, base, imprimação e revestimento asfáltico.
Qual a espessura máxima de cada camada de aterro?
Pela DNIT 108/2009-ES, no corpo do aterro cada camada compactada não deve passar de 0,30 m; nas camadas finais, o limite é de 0,20 m.
O que é bota-fora?
É o material de corte não aproveitado nos aterros, por má qualidade ou excesso de volume, levado a um local de depósito definido (DNIT 106/2009-ES).
Quanto custa a terraplenagem?
O valor é sob consulta, porque depende do volume de terra, da categoria do material, do bota-fora e da compactação. Envie fotos, medidas e o projeto pelo WhatsApp para receber o orçamento.
Peça seu orçamento de terraplenagem e pavimentação
A Fatali faz terraplenagem e pavimentação asfáltica na mesma obra, em São Paulo e região: limpeza, corte, aterro, compactação, base e asfalto. Conheça também a Fatali como empresa de terraplenagem e pavimentação.
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Autor: Kaio César Vidigal, Fatali Asfalto.
Fontes
Dicio – Terraplenagem ou terraplanagem (registro das duas formas no VOLP/ABL): dicio.com.br
Exame – "É verdade que o certo é terraplenagem? Professor responde" (Houaiss, Aulete, Michaelis e VOLP): exame.com
DNIT 104/2009-ES – Terraplenagem – Serviços preliminares: gov.br/dnit
DNIT 106/2009-ES – Terraplenagem – Cortes: gov.br/dnit
DNIT 107/2009-ES – Terraplenagem – Empréstimos: gov.br/dnit
DNIT 108/2009-ES – Terraplenagem – Aterros: gov.br/dnit

